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Autoestima é o aspecto mais afetado pela endometriose, diz pesquisa

A doença afeta cerca de 15% das mulheres em idade fértil e, apesar de ser uma patologia ginecológica, causa danos à saúde de maneira global. Segundo pesquisa do Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), realizada com 3 mil mulheres brasileiras portadoras da doença, a autoestima é o aspecto mais afetado nas pacientes. No ‘top 5’ do ranking também aparecem, saúde física, saúde mental, vida sexual e vida financeira como as principais áreas da vida afetadas pela endometriose.

Segundo a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela, uma das explicações para as mulheres elegerem a autoestima como a área mais afetada é que o tratamento clínico é feito com hormônios que podem levar ao ganho de peso. “A endometriose também pode provocar inchaço abdominal, deixando a barriga mais saliente. Mesmo que a mulher tenha hábitos saudáveis, pode ser mais difícil perder e manter o peso devido a estes fatores”, relata.

A autoestima também é afetada de acordo com as cicatrizes deixadas pelas cirurgias. A pesquisa mostrou que 55% das entrevistadas já realizaram pelo menos uma cirurgia e 26% duas cirurgias para tratar a doença. Não menos importante é o fato de que 55% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade. “E nada mais impactante para uma mulher do que a impossibilidade de gerar uma vida quando este é o seu desejo”, diz Marília.

A dor afeta 90% das mulheres entrevistadas, sendo o sintoma mais comum relatado pelas mulheres que sofrem com a endometriose. Além da dor pélvica, muitas pacientes apresentam comorbidades, como síndrome do intestino irritável, fadiga, infecção de urina, abortos de repetição, dores nas costas, dores nas pernas, entre outras.

Quanto à saúde mental, cerca de 50% das mulheres entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade e 30% com depressão. O estresse também afeta mais da metade das mulheres com endometriose. Infelizmente, a maioria não tem apoio psicológico para lidar com a doença.

A dor durante o ato sexual, chamada de dispareunia, é um dos principais fatores que prejudicam a vida sexual de mulheres com endometriose e está presente em mais da metade dos casos. Outro ponto é que a endometriose é um fator de risco para desenvolver essa condição.

A pesquisa revelou que 50% das brasileiras com endometriose se ausenta do trabalho de uma a três vezes por mês, cerca de 23% das entrevistadas já ficaram afastadas por mais de 15 dias e 14% revelaram já terem sido demitidas por causa da doença. Outras não conseguem trabalhar. Todos estes fatores afetam a renda da mulher, assim como seu crescimento profissional.

TRATAMENTO PODE MELHORAR QUALIDADE DE VIDA

Embora a endometriose afete todos os aspectos da vida da mulher, o tratamento correto pode levar à melhora da qualidade de vida. O tratamento, seja clínico ou cirúrgico, visa à melhora da dor, que é o sintoma que costuma ser mais desconfortável, mas muito diversificado, de acordo com o grau da endometriose.

Porém, quando a dor é gerenciada e controlada, os outros aspectos da vida acabam melhorando. Sem dor, a mulher pode levar uma vida normal e realizar todas as atividades que deseja. Felizmente, é possível controlar a dor na maioria dos casos de endometriose.

 

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